Sobre Diego Rojas

Sou artista gráfico e desenvolvedor WordPress da Eté Design. Já fiz um palhaço chamado Meleca, já fui assistente de produção de um programa do canal Futura (Boa Notícia), também já carreguei caixa produzindo eventos e videos por uma produtora (ViaTV). Quase-fiz História na USP por 1 ano.

60 dias para o Encontros 2013

A Equipe do EncontroS 2013, anunciou semana passada lançamento das atividades para a realização do evento!

Logo ext

O EncontroS 2013 ocorrerá no Quilombo Campinho da Independência, na BR 101, KM 584 em Paraty-RJ entreo os dias 15 e 17 de Novembro.

A grande iniciativa em receber o projeto vieram de pessoas, batuqueiros e os próprios moradores da cidade de Paraty-RJ. A parceria foi concretizada com o apoio e incentivo da Secretaria de Cultura do Município de Paraty e da Associação de Moradores do Quilombo Campinho da Independência.

A História do Quilombo do Campinho

O Quilombo Campinho da Independência, comunidade afro-rural está localizado na Região da Costa Verde, pra ser mais preciso, em meio à cobiçada beleza paratyense. Organizado por 3 bravas mulheres, ex-escravas, da Fazenda Independência, Antonica, Marcelina e Luíza, que na segunda metade do século XIX, com a decadência econômica da região e a consequente falência das várias fazendas do local, receberam as terras, agrupando nela o povo que ao longo dos tempos tem resistido social, econômica, ambiental e culturalmente.

Após 3 décadas de luta judicial, recebeu das mãos da governadora em exercício do Estado do Rio de Janeiro,  Benedita da Silva, no ano de 1999 o título de propriedade definitiva do seu território como comunidade remanescente de quilombo, baseada no artigo 68 das Disposições Transitórias.

Hoje desenvolve um programa de Turismo Étnico-Ecológico para melhorar a vida do povo quilombola. Possui uma Casa de Artesanato e um Restaurante Comunitário, que oferece a melhor feijoada da região, incentiva a agroecologia e serve como palco de maravilhosos momentos culturais.

ACESSE O SITE: QUILOMBOCAMPINHODAINDEPENDENCIA.BLOGSPOT.COM.BR

 

O Quilombo do Campinho e os Quilombolas residentes desta comunidade afro-rural abrirão seu espaço para nos receber e estão muito felizes por estabelecer esta troca com o evento, a comunidade local estará participando do evento livremente como contrapartida do espaço. Assim como irão ajudar na logística, refeições e apresentações.

Veja no site do Encontros tudo o que precisa saber. 

Hospedagem

Diferente do ano passado, as acomodações ficarão por conta dos participantes. Foram feitas indicações de campings e pousadas próximos à sede do evento, e os administradores da hospedagem já firmaram parceria com o evento.

Veja a Lista Completa de Acomodações

A Equipe pede a contribuição de todos os participantes para cuidar do espaço e do ambiente que será gentilmente cedido. Ressaltaram que não será de responsabilidade da Equipe da Organização acomodar os participantes.

Inscrição-Abertas3

Cronograma

13/09/2013 – Abertura de inscrições – Inscrições limitadas a 250 pessoas

25/10/2013 – Encerramento dos pagamentos de inscrições;

02/11/2013 – Proposta de cada grupo fazer um Cortejo nas suas localidades para marcar a abertura do Encontros que tradicionalmente ocorria nesta data;

Evento

15, 16 e 17 de novembro de 2013 – Feriado da Proclamação da República
A Estrutura base será a do Restaurante do Quilombo, mais Duas tendas para os bate papos, vivências, apresentações e confraternizações.

Local

Quilombo Campinho da Independência de Paraty.
Estrada Rio Santos BR 101 que liga Paraty a Patrimônio no KM 584;

Valores

Lotes Valores Data de pagamento
1º Lote a vista R$ 130,00 Até 21/10/2013
2º Lote a vista R$ 150,00 Até 11/11/2013
Ficha de Inscrição

Pelo valor pago cada participante terá acesso aos seguintes itens

Entrada – Camiseta – Programação – Adesivo – Alimentação

Alimentação

No Restaurante do Quilombo, serão oferecidas as refeições, elaboradas com produtos locais, agroecológicos e com todo sabor da comida Quilombola!

Almoço e Jantar para Sexta-feira – 15/11

Almoço e Jantar para Sábado – 16/11

Almoço para Domingo – 17/11

Convidados

  • Mestre Afonso Aguiar Filho do Maracatu Leão Coroado (confirmado)
  • Mestre Gilmar Santana do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu (confirmado)
  • Mestre Toinho do Maracatu Encanto da Alegria (à confirmar)
  • Rei Clovis do Maracatu Encanto da Alegria e batuqueiros das Nações (à confirmar)

A Equipe ressalta que apoia Grupos ou Pessoas que queiram realizar parcerias para trazer outros Mestres e convidados e que estão contatando Nações e Batuqueiros de Pernambuco para  participarem com a condição de oferecer hospedagem e alimentação, mas não o translado.

Maiores esclarecimentos envie email para encontros (arroba) maracatu.org.br

Nova versão do Site!

Destacado

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Olá Brincantes!

É com muito prazer que anunciamos o novo portal Maracatu.org.br com muitas novidades e rodando com a nova versão do WordPress, 3.5. Foram quase dois meses de trabalho, confira.

Saiba as Novidades

  • O portal foi todo refeito e atualizado, com recursos extras e novos Temas para criação do sites disponíveis. Você pode ver uma demo do site em funcionamento. Saiba Mais.
  • Podemos criar facilmente novos sites para os novos integrantes que estão por vir, as inscrições estão abertas novamente! Confira.
  • O Login de todos os sites foi unificado e você pode usar sua conta do Facebook para entrar. Veja.
  • O Portal vai manter o seu próprio Blog com colunistas convidados e matérias sobre o Maracatu.
  • Estamos definindo diversos plugins (complementos) do WordPress para o uso do Facebook, Twitter, Upload de Músicas, Fotos e Vídeos. Estaremos disponibilizando continuamente documentação sobre o uso dessas ferramentas.
  • Agora o Portal vai ter uma newsletter bimestral, faça o seu cadastro e receba as novidades de nossa Rede. Se tiver interesse em publicar algo escreva para contato@maracatu.org.br.
  • Estamos remodelando a Central de Ajuda do Portal, um lugar de referência para quem está fazendo.maracatu.org.br.
  • Todas as dúvidas em relação ao uso da ferramenta pelos Grupos e Nações deverão ser enviadas para o email suporte@maracatu.org.br

A lista comunidade@maracatu.org.br ja está ativa, inscreva-se!

Uma lista de e-mails de Grupos e Nações para ajudar na formação de uma Rede de ações foi criada. As mensagens da lista estarão sujeitas a moderações. Serão exclusivamente aceitas mensagens sem fins comerciais contendo: informações sobre o Maracatu; Ações da rede de seus Brincantes; Divulgação de trabalhos, projetos e apresentações de Maracatu de Baque Virado.

Inscreva-se na lista 

Mapeamento do Maracatu

Customizamos uma solução de de Georeferenciamento para fazermos o Mapeamento dos Grupos e Nações ao redor do planeta. Saiba mais.

Veja o Mapeamento

Em breve mais novidades!

Maracatu pra Tu

Num universo de batuques africanos, vozes abafadas e uma história de corte real surge um ritmo que, mesmo que você tente, não te deixa ficar parado.

Por Rogério de Lima – Fonte: www.ruadebaixo.com

O Brasil é formado por uma miscelânea incalculável de ritmos e expressões culturais. Musicalmente falando, o samba, que antes era chamado de rumba pelos norte-americanos, é um dos ritmos que mais se destacaram internacionalmente, principalmente na figura da portuguesinha super brasileira Carmen Miranda. Mas existem diversos outros ritmos, como abossa nova, o chorinho, o forró, o frevo, o côco, a tropicalha, a catira, o vanerão, a músicacaipira, enfim, uma infinidade de sons. Essa nossa forma de gestação fez crescer aqui uma barafunda étnica que nos diferencia justamente pelo jeito “miscigenado” de ser. E dentre tantas misturas, vou falar um pouco de um ritmo tipicamente brasileiro e, o que não posso deixar de dizer, tipicamente miscigenado: o Maracatu.

Mas pra falar do Maracatu é preciso antes explicar um pouco de como eram as festas celebradas no período colonial – 1500–1808. Naquela época, o Brasil era basicamente composto por índios, negros, jesuítas e portugueses. Para amenizar um pouco das tensões culturais e religiosas da época, adaptaram a história dos Reis Magos para representar cada um desses povos que aqui habitavam; O Rei Bronzeado representava os índios, o Rei Negro, os povos traficados da África, o Rei Branco, os portugueses e a história do nascimento de Jesus representando os Jesuítas, concepção que, se não for criativa, é, no mínimo, interessante. Dessa vertente, evoluíram outros movimentos que ainda estão vivos por aqui, como o bumba-meu-boi, cheganças e pastoris.

Entre as diversas manifestações negras que existiam no Brasil, o auto de Coroação do Rei do Congo, ou a Congada, fruto dessas primeiras cerimônias, era uma das poucas festas autorizadas pelos senhores coloniais portugueses do Estado do Pernambuco, em Recife (nordeste brasileiro). Ela reunia os valores tribais de Angola e do Congo às tradições Ibéricas. Tratava-se de uma procissão animada por danças, músicas e cantos que acabavam em frente à igreja do Rosário, santa adotada pelos povos africanos. Neste ponto, toda a corte e seus vassalos assistiam à coroação do Rei do Congo e da Rainha Ginga de Angola. Esta corte era representada por todos os estratos sociais existentes num castelo, tais como: o rei, a rainha, a dama de honra do rei e da rainha, o duque, a duquesa, o conde, a condessa, os vassalos, o porta-estandarte, o guarda coroa, o corneteiro, os batuqueiros, etc… Tudo isso, claro, encenado por negros. É desta manifestação que nasceram os primeiros vestígios do Maracatu que conhecemos.

Quando em 1888 foi assinada a Lei Áurea, instrumento político que libertou os negros da escravidão, o Maracatu perdeu gradualmente o caráter de cortejo e passou a fazer parte das festividades do carnaval, sem perder, é claro, o cunho religioso que, com a prerrogativa da abolição, passava a fazer livre menção aos deuses do panteão africano.

Essa manifestação se tornou tão importante para esses povos que, no entorno do Maracatu, os grupos passaram a se reunir para tratar de outros assuntos que não tinham a ver exclusivamente com a festa, e sim com os problemas sociais e cotidianos. Geralmente, a rainha que era coroada no cortejo também era a mãe de santo das vilas e sua autoridade – social e religiosa –  era respeitada não somente nas festas, mas durante todo o ano.  A esses grupos foi dado o nome de Nações ou Maracatu de Baque Virado. Existiram diversas nações em Recife como, por exemplo: Nação Elefante – fundada em 1800, Nação Leão Coroado de 1863, Nação Estrela Brilhante de 1910, Nação Indiano de 1949 e Nação Porto Rico do Oriente – fundada em 1967. Cada qual com sua filosofia, as nações desfilavam nos carnavais e disputavam para saber quem seria a melhor daquele ano.

As características sonoras do Maracatu

Alguns pesquisadores afirmam que o nome Maracatu era utilizado como senha para informar que policiais do reino estavam à espreita. A fonética da palavra “ma-ra-ca-tu” tem o mesmo ritmo dos baques do tambor “tá-tá-tá-tum”.

O batuque é formado pelos seguintes instrumentos percussivos:

A alfaia: Tambores feitos em madeira e com couro animal, responsável pelo som grave e pela marcação do ritmo;

Caixa: Tambores agudos, alguns feitos de madeira outros de metal. Geram o som de rufos e preenchem o espaço sonoro das alfaias;

Gonguê: Instrumento de metal em formato de sino;

Ganzá: Instrumento cilíndrico e oco com pedrinhas em seu interior;

Agbê: Uma cabaça envolvida por miçangas trançadas.

Outros objetos fazem parte da festa, tais como: o porta-estandarte, que carrega o emblema da nação, e a Calunga, uma grande boneca de cera que, de acordo com as tradições, carrega os poderes daquele grupo.

As toadas são os cantos. Ela sempre é invocada pelo Tirador de Loas – aquele que puxa o canto – e os demais integrantes respondem ao chamado.  Os cantos referenciam a corte, a religiosidade, as tradições da nação e os valores africanos.

Esse é um canto da Nação Estrela Brilhante onde os integrantes apenas repetem o canto do Tirador:

Olha a costa velha é nagô afã

Estrela Brilhante é nação germana

vejo que na Estrela tem um brilho sem igual

uma luz tão fagueira ilumina a corte real

Nesse outro canto, também da Estrela Brilhante, fica visível a influência da corte portuguesa na composição das toadas. Neste caso, os integrantes respondem aos chamados do Tirador:

[ T ] Dança rainha, vassalo e escravo / [ I ] todos lanceiros e a corte real

[ T ] toque o batuque no baque virado / [ I ] dama de passo escute o compasso

[ T ] vem meu rei, embaixador e princesa também catirina olhe o baque

[ I ] zuando é o Estrela que já vem chegando

* [ T ] – Tirador perguntando

[ I ] – Integrantes respondendo

Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural

Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural foi uma linha que nasceu na segunda metade do século XX, no interior do estado de Pernambuco, na região dos grandes canaviais.

Inicialmente, a festa era formada apenas por homens e não fazia referência à corte. Mais tarde, sob influência do Maracatu de Baque Virado, passou a aceitar as mulheres e até coroar reis e rainhas. A Valéria Alves, 24 anos, estudante de Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC, explica que “em alguns grupos, a mulher não pode fazer, em hipótese alguma, parte da percussão, restando para elas os cantos”.

Na formação, utilizam-se também muitos instrumentos de sopro, como clarinete, saxofone, trombone, corneta e pistão. Já na percussão ficam a zabumba e a cuíca. A marcação é muito mais rápida e constante que o Maracatu de Baque Virado. Os foliões, com uma indumentária que chega a pesar 30 kilos, dançam de maneira mais curvada, o que referencia a cultura do corte de cana, no momento em que as pessoas precisam se abaixar para cortá-la na raiz.

O maior representante do Maracatu Rural foi o Mestre Salustiano, falecido em 2008, que, em entrevista dada no I Encontro Sul-Americano de Culturas Populares, afirma que, “a (disseminação) da cultura sempre viveu na mão de gente sofrida e agora é que está sendo reconhecida”. Isso demonstra um pouco de como sobrevive essa modalidade de Maracatu. Apesar de recente, ela foi importantíssima na concepção de novas linguagens musicais. Com um baque mais acelerado, a inserção de outros elementos mais agressivos, como o Rock, fica mais orgânica. Hoje já são 12 mil integrantes, formando 108 grupos de Maracatu Rural, espalhados em Pernambuco.

As manifestações atuais

Atualmente existem diversas vertentes para o Maracatu. Há os que defendem que ele deve ser mantido inalterado, sem modificação de sua matriz histórica, e os que adaptam às diversas linguagens contemporâneas.

Um exemplo de adaptação foi o Mangue Beat, movimento nascido em Recife na década de 90. Liderado pelos artistas Chico Science, do Nação Zumbi, e Fred 04, do Mundo livre S/A, a música brasileira presenciou uma revolução que não via desde a tropicália. Existiam outros movimentos na cena, mas todos com os pés fincados na cultura norte-americana. O Mangue Beat quebrou os padrões ao se apropriar dos 4 por 4 gringos, inserindo neles elementos do Maracatu Rural que fora inspirado nos arranjos de Mestre Salustiano, e na cultura local de Recife, principalmente fazendo referência ao mangue, o ecossistema mais rico do planeta.

Vítima em 1997, aos 33 anos, de um acidente automobilístico, Chico Science deixou um legado cultural inestimável. Foi a partir do lançamento do seu primeiro álbum, “Da Lama ao Caos”, em 1993, que nada mais foi como antes na música. Ele viajou em turnê pela Europa e Estados Unidos e abriu o show do Gilberto Gil no central park.

O movimento esquentou tanto os ouvidos de quem há muito tempo procurava algo inovador que, daí por diante, Recife se abriu novamente para a cena musical. Ao lado de Chico Science, outros músicos como Oto, Mestre Ambrózio e Cordel do Fogo Encantado ainda movimentam públicos pelo mundo inteiro seguindo a mesma linha de misturar as sonoridades atuais com elementos da cultura raiz de Pernambuco, como o Maracatu, o côco e o frevo.

A figura de Chico foi tão importante para a música que, de 4 de fevereiro a 4 de abril de 2010, o Itaú Cultural – braço cultural de um banco brasileiro – promoveu em São Paulo uma mostra sobre a vida e obra do Idealizador do Mangue Beat. Entre vídeos, fotos e salas decoradas com temas relacionados à cultura pernambucana, foram realizados diversos debates. Em um deles esteve presente Beco Dranoff – produtor musical brasileiro que vive em Nova Iorque, Borkowski Akbar – produtor do festival alemão Heimatklange, que significa “sons da terra”, Fred 04 – já mencionado, Bill Bragin – diretor de programação do Lincoln Center, em Nova York, Carlos Eduardo Miranda – entusiasta da cena mangue e produtor musical em Porto Alegre, e Paulo André Pires – Parceiro, amigo e produtor musical de Chico Science. “A coisa foi tão boa que, 13 anos depois, estão fazendo debate sobre o que Chico e Fred 04 criaram”, explica Beco Dranoff, e finaliza: “o movimento contribuiu para que o mundo e o Brasil voltassem os olhos para a cultura popular de Recife”.

Seguindo uma linha tradicional, inclinados, direta ou indiretamente, pelo boom do Mangue Beat, nasceram outros grupos mais tradicionais a fim de resgatarem as linhas raiz do Maracatu de Baque Virado. Um destes grupos é o grupo Bloco de Pedra que, desde 2001, abre a escola pública Alves Cruz, no bairro do Sumaré, em São Paulo, para oficinas de construção de instrumentos e estudo de ritmos do Maracatu. Vanessa Cristina, 22 anos e Patrícia Ferreira, 23 anos, ex-integrantes do grupo, contam que no início eram poucas pessoas e que hoje são mais de 600 por ensaio. Elas alertam que os grupos em São Paulo não podem ser caracterizados como Nação, pois nesses trabalhos são explorados apenas os cantos e os ritmos.

Nessa busca pelos grupos em São Paulo, eu visitei o grupo Caracaxá, que faz suas oficinas abertas ao público, às quintas feiras, dentro da Universidade de São Paulo – USP. No dia da visita aconteceu algo bem interessante e que mostra como é o envolvimento das pessoas com oMaracatu, mesmo que fora de Recife.  Uma das integrantes, a Cybelle, veio a falecer, vítima de um câncer. Em função deste fatídico acontecimento, deixei a entrevista de lado e pedi autorização para apenas estar com eles neste ensaio, que seria feito em homenagem à Cybelle. Quebrando os padrões dos ensaios foi hasteado o estandarte e, apesar da dor, todos tocaram e cantaram as toadas com muito mais força, numa cerimônia quase ritualística. Isso mostra como o Maracatu, ainda que não seja vivenciado com todos os preceitos da Nação, cria um relacionamento muito forte entre os integrantes.

É comum que esses movimentos façam os arrastões (desfile) pelas avenidas paulistanas. No dia 29 de novembro do ano passado (2009), diversos grupos do estado de São Paulo tomaram as ruas do centro da cidade com seus tambores e mostraram o que é a cultura do Maracatu. As pessoas que passavam se encantavam com o cortejo das alfaias e das mulheres com suas saias rodadas e coloridas.  De mansinho, o arrastão levou o público em seu trajeto que começou e terminou no Largo do Paissandu, centro velho de São Paulo.

A repercussão desta cultura tipicamente brasileira é tão representativa que já existem grupos espalhados pelo mundo inteiro: o Baque Forte, em Berlin, o Brighton Maracatu, na Escócia, o Maracatu Estrela do Norte, em Londres, o Maracatu Nunca Antes, em Toronto,  Maracatu NY, em Nova Iorque, Nation Stern der Elbe,  em Hamburgo, Alemanha, e Maracatu Macaíba, em Nantes, na França.

De 2 a 4 de julho de 2010 ocorrerá o 4º Encontro Europeu de Maracatu. O evento de três dias ocorrerá em Paris e contará com a presença de mestres de Maracatu de todo o mundo.  Para participar do encontro organizado pelo grupo Maracatu Nação Oju Obu é preciso pagar uma taxa de 50 euros. As vagas são limitadas em 350 pessoas e em janeiro deste ano já contavam com 205 confirmados.

Maracatu é uma expressão tipicamente brasileira e a cada dia ganha mais adeptos no mundo. Nascida do sincretismo religioso, agrega em sua essência traços da cultura ibérica e dos afro-descendentes brasileiros. Fruto de nossa concepção miscigenada, ela se relaciona com todos os nossos arquétipos sociais e psicológicos. Talvez por isso ganhou tanta força e tanta expressão de brasilidade afro.

Meu nome é Rogério Lima, sou brasileiro, paulistano da gema, amo esse pedaço de fim de mundo cosmopolitano e passarei a corresponder sobre cultura brasileira para o site Ruadebaixo. Como bom canarinho, minha casa estará aberta para quem quiser saber um pouco mais sobre nós. De cá, chamo todos pra conhecer os daí. E assim está feita a troca! Até a próxima matéria.

Projeto fará 5 oficinas presenciais no Estado de São Paulo

O Maracatu.org.br nasceu para organizar na Internet Nações e Grupos de Maracatu de Baque Virado, potencializando a rede formada por seus brincantes, disponibilizando conteúdos e colaborando para o fortalecimento desta cultura. A ideia é bem simples, Nações e Grupos de Maracatu recebem páginas do tipo sua nação.maracatu.org.br ou seugrupo.maracatu.org.br e participam de oficinas para aprender a publicar seus conteúdos e administrar seus sites de forma autônoma.

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Lançado oficialmente em Dezembro de 2009 com a adesão de 4 grupos da cidade de São Paulo e um grupo de Santos, já conta com cerca de 25 mil acessos. No ano de 2010 realizaremos oficinas com o patrocínio do PROAC para mais 5 grupos de São Paulo, além de disponibilizar páginas para Nações e Grupos de todo o país, realizar oficinas online e publicar tutorias sobre como usar o Maracatu.org.br.

Nações e Grupos de Maracatu de Baque Virado, participem do Maracatu.org.br. Inscrições abertas de 15 de Maio a 15 de Junho de 2010.

Para tirar dúvidas, deixe um comentário nesta notícia.

Para saber mais sobre o projeto acesse a carta de intenções.

Sejam tod@s bem vindos!

Equipe do Maracatu.org.br

Retomando as atividades em 2010

O Projeto recomeça suas atividades em 2010 a partir de agora. 2009 foi um ano de experimentações, compreensões e planos. Agora conhecemos aqui em São Paulo quem quer contribuir e participar desta história e começamos pequenos contato em Recife, principalmente com o Maracatu Nação Porto Rico.

Este ano o projeto tem três principais focos: 1.  Melhorar a ferramenta de publicação; 2. Desenvolver tutoriais; 3. Realizar a formação presencial dos grupos do Estado de São Paulo.

Com certeza continuaremos nosso trabalho presencial com os grupos do município São Paulo, mas pretendemos desenvolver um material de mais qualidade dentro do site para que os grupos consigam organizar suas páginas com mais autonomia.

O projeto agora está apoiado pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, o ProAC.

Estamos disponibilizando o relatório de nosso projeto entregue a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo como finalização do processo do VAI em 2009, boa leitura!

Faça o Download

Cortejo Maracatu.org.br

No último  Domingo, dia 29/11 o projeto Maracatu.org.br realizou um cortejo no centro da cidade de São Paulo com a presença de centenas de pessoas. O cortejo representa o Encontro de todos os grupos de Maracatu de Baque Virado do Brasil e  foi “coroado” pela presença do mestre Toinho, do Maracatu Nação Encanto da Alegria (Recife-PE).

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Foto: Victor Herege

Durante cerca de 2 horas grupos  de São Paulo ( Bloco de Pedra, Cia. Caracaxá, Ilê Aláfia, Porto de Luanda, Mucambos de Raiz Nagô), Santos (Quiloa), Taubaté (Baque do Vale), Paraty-RJ (Palmeira Imperial) e Curitiba-PR (Estrela do Sul) percorreram o centro da cidade de São Paulo. O Cortejo partiu da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens de Preto no Largo do Paissandú fazendo uma volta pelo Viaduto Santa Efigênia, Largo São Bento e Vale do Anhangabaú.

Seu Toinho, do Maracatu Nação Encanto da Alegria - Foto: Renata Teixeira

Seu Toinho, do Maracatu Nação Encanto da Alegria - Foto: Renata Teixeira

Lançamento da Versão 0.5 do Site!

Neste domingo 29/11/2009, no centro de São Paulo, faremos um grande cortejo de Maracatu para divulgar o lançamento do www.maracatu.org.br, um portal dedicado a Cultura do Maracatu de Baque Virado. Desenvolvido para que as Nações e Grupos de Maracatu constituam, na Internet, uma grande rede, organizando e compartilhando informações sobre esta cultura.

Na fase inicial do projeto, 5 grupos de São Paulo participaram de oficinas piloto para construírem suas paginas no Maracatu.org.br, atualmente em pleno desenvolvimento. Passados os testes, o projeto deve começar a se expandir para outros estado, principalmente Pernambuco, crescendo na medida da participação de todos!

Equipe Maracatu.org.br

Maracatu celebra seu bom momento em Pernambuco

Maracatu celebra seu bom momento em 2008
Matéria publicada originalmente no Jornal do Commercio – PE, por Eugênia Bezerra e Milena Times em 01/08/2008, referente ao dia do Maracatu e republicada no saite do Ministério da Cultura

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Mestre Luís de França, antigo Babalorixá e Mestre da Nação Leão Coroado

Pernambuco celebra 10 anos de Dia Estadual do Maracatu hoje.

A data, instituída em dezembro de 1997, marca o nascimento do lendário Mestre Luiz de França do Maracatu Leão Coroado, eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Para comemorar a data, haverá um cortejo de maracatus, com concentração em frente à Prefeitura de Olinda,  às 16h, além do Folclore na Vila 2008, organizado pelo Maracatu Nação Maracambuco.

Promovido pela Prefeitura de Olinda, junto com o grupo Cultural Maracatudo Camaleão e a Associação dos Maracatus de Olinda, o cortejo na cidade alta vai contar com o batuque dos grupos Leão Coroado, Estrela Brilhante de Igarassu, Porto Rico e Baque de Luanda. Já na sede do Maracambuco, localizada na Avenida Presidente Kenedy, 1228, a 7ª edição do Folclore na Vila trará apresentações dos grupos Capoeira Firenze, Balé Afro Raízes e Na Corda Bamba, às 18h.

Uma das mais antigas tradições da cultura popular do Estado, o maracatu também pode virar Patrimônio Imaterial Nacional. Depois do frevo e da Feira de Caruaru, a Fundarpe entregou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em março deste ano, a solicitação de inclusão de mais quatro manifestações: o cavalo-marinho, o caboclinho, o maracatu rural e o maracatu nação.

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Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife - Rainha Marivalda

Sem prazo certo para a aprovação do título de registro, o maracatu vive o seu melhor momento. Nas décadas de 1950 e 1960, o maracatu nação obteve certa aceitação social, como componente da nossa tradição africana, reforçando o mito da democracia racial. O maracatu rural, por outro lado, era considerado uma descaracterização do modelo tradicional, chegando a ser a ser proibido de desfilar na passarela oficial no Carnaval de 1976. Se até os anos 80 não mais que sete grupos desfilavam, atualmente existem mais de 30 grupos de maracatus nação filiados à Federação Carnavalesca e pelo menos 20 disputaram o concurso de agremiações nos últimos anos.

O resgate do maracatu começou com o Balé Popular do Recife, que o estilizou e ó levou em seus espetáculos a vários países, e depois com o Maracatu Nação Pernambuco, incorporando integrantes da classe média. Valorizado pela mesma sociedade que o rejeitava, a visibilidade e o sucesso do maracatu é, em grande parte, resultado de seu resgate pelo movimento Mangue Beat, nos anos 90, tendo como principal lanceiro Chico Science com a Nação Zumbi. Quase equivalente ao frevo em termos de símbolo da nossa cultura, o maracatu ressuscitou e saiu do purismo da tradição, sendo abraçado por diversas vertentes.

Além dos mangueboys, artistas como o músico Siba Veloso e Mestre Salu, entre outros, fizeram o maracatu ser (re)conhecido pelo Brasil e chegar aos ouvidos de um público que, há poucos anos, não se imaginaria dançando um ritmo como esse.

O maracatu tornou-se influência para bandas de outros estados, como a Maracatu Vigna Vulgaris (CE) e para a formação de diversos grupos fora das fronteiras pernambucanas, como o Rio Maracatu (RJ), o Maracatu Lua Nova (MG) e o Bloco de Pedra (SP). Até em outros países já surgiram grupos formados por músicos que se encantaram com o som das alfaias, como é o caso do Maracatu New York e o Nation Beat (EUA) e Block Vomit (da Escócia).

Maracatu Bloco de Pedra, de São Paulo (Foto: Ernani Baraldi)

Maracatu Bloco de Pedra, de São Paulo (Foto: Ernani Baraldi)

O registro mais remoto sobre o maracatu data de 1711 e fala de uma apresentação artística que compreendia teatro, música e dança. Atualmente, o maracatu tradicional pode ser dividido em duas manifestações culturais diferentes, de acordo não apenas com o ritmo, mas também com a indumentária. O maracatu de baque virado ou maracatu nação tem origem nas congadas, manifestação permitida pelos senhores de escravos aos negros, que a elegiam seus reis e rainhas. Já o maracatu de baque solto ou rural, se distingue pela ausência do rei, sendo seu personagem mais emblemático o caboclo de lança.

Fonte: www.cultura.gov.br